sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Se eu de ti me esquecer - Bernardo Guimarães


Se eu de ti me esquecer, nem mais um riso


Possam meus tristes lábios desprender;


Para sempre abandone-me a esperança,


Se eu de ti me esquecer.


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Neguem-me auras o ar, neguem-me os bosques


Sombra amiga, em que possa adormecer,


Não tenham para mim murmúrio as águas,


Se eu de ti me esquecer.


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Em minhas mãos em áspide se mude


No mesmo instante a flor, que eu for colher;


Em fel a fonte, a que chegar meus lábios,


Se eu de ti me esquecer.
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Em meu peregrinar jamais encontre


Pobre albergue, onde possa me acolher;


De plaga em plaga, foragido vague,


Se eu de ti me esquecer.
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Qual sombra de precito entre os viventes


Passe os míseros dias a gemer,


E em meus martírios me escarneça o mundo,


Se eu de ti me esquecer.


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Se eu de ti me esquecer, nem uma lágrima


Caia sobre o sepulcro, em que eu jazer;


Por todos esquecido viva e morra,


Se eu de ti me esquecer.


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Um comentário:

Raquel disse...

Parabéns pelo site. Amei tudo. Coisa mais linda....

abraços

Raquel