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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O lenço dela - Manuel Antônio Álvares de Azevedo



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Quando, a primeira vez, da minha terra

Deixei as noites de amoroso encanto,

A minha doce amante suspirando

Volveu-me os olhos úmidos de pranto.
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Um romance cantou de despedida,

Mas a saudade amortecia o canto!
Lágrimas enxugou nos olhos belos...
E deu-me o lenço que molhava o pranto.
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Quantos anos, contudo, já passaram!
Não olvido porém amor tão santo!

Guardo ainda num cofre perfumado
O lenço dela que molhava o pranto...
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Nunca mais a encontrei na minha vida,
Eu contudo, meu Deus, amava-a tanto!
Oh! quando eu morra estendam no meu rosto
O lenço que eu banhei também de pranto.
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Amor de ostra - Affonso Romano de Sant'Anna



Nunca soube como as ostras amam.
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Sei que elas tem um jeito suave de estremecer
diante da vida e da morte.
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Tens um jeito de acomodar teu corpo ao meu
como na concha.
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Eu não sabia como as ostras amam
até que duas pérolas brotaram de teus olhos
no mar de cama.
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