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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Arrependimento - Olegário Mariano



Deste amor torturado e sem ventura
Resta-me o alívio do arrependimento.
O pouco que me deste de ternura
Não vale o que te dei de encantamento.
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Abri para o teu sonho o firmamento,
Semeei de estrelas tua noite escura.
Dei-te alma, exaltação e sentimento.
Fiz de um bloco de pedra uma criatura.
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Hoje, ambos à mercê de sorte avessa,
Se para te esquecer luto e me esforço,
Manda-me o coração que não te esqueça.
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Padecemos idêntico suplício:
Tu - corroída de pena e de remorso,
Eu - com vergonha do meu sacrifício.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Pedido - Roseana Murray


me deixa escrever paixão
ao teu redor
tecer a palavra como quem
enchesse o oco de uma fruta
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tudo será feito em silêncio
um vento quase de nada trocará nossos olhos
uma água macia forrará nossos gestos
.
me deixa escrever teu nome
me deixa te escrever
só doerá um pouco
quando encostar minha alma na tua
.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Soneto XXXVI - Cláudio Manuel da Costa


XXXVI
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Estes braços, Amor, com quanta glória
Foram trono feliz na formosura!
Mas este coração com que ternura
Hoje chora infeliz esta memória!
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Quanto vês, é troféu de uma vitória,
Que o destino em seu templo dependura:
De uma dor esta estampa é só figura,
Na fé oculta, no pesar notória.
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Saiba o mundo de teu funesto enredo;
Por que desde hoje um coração amante
De adorar teus altares tenha medo:
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Mas que empreendo, se ao passo, que constante
Vou a romper a fé do meu segredo,
Não há, quem acredite um delirante!
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