Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008

Naquela Tarde - Branca de Gonta Colaço



Naquela tarde em que nos encontramos
"para o último adeus" - nas garras frias
do "desgosto sem fim" que sempre achamos
qualquer separação de poucos dias...
.
Tarde de amor em que nos apartamos
presas das mais acerbas nostalgias,
- talvez porque os protestos que trocamos
valessem mil celestes alegrias -,
.
houve um momento - foi um sonho de Arte!
em que um raio de sol veio beijar-te,
com tanto ardor, em rutilâncias tais,
.
(que eu fiquei muda, a olhar, num gozo infindo,
o beijo que te dava o sol tão lindo
Mas o teu rosto alumiava mais . . .
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Terça-feira, 19 de Agosto de 2008

Exaltação do Amor - J. G. de Araújo Jorge


Sofro, bem sei... Mas se preciso for
sofrer mais, mal maior, extraordinário,
sofrerei tudo o quanto necessário
para a estrela alcançar... colher a flor...
.
Que seja imenso o sofrimento, e vário!
Que eu tenha que lutar com força e ardor!
Como um louco talvez, ou um visionário
hei de alcançar o amor... com o meu Amor!
.
Nada me impedirá que seja meu
se é fogo que em meu peito se acendeu
e lavra, e cresce, e me consome o Ser...
.
Deus o pôs... Ninguém mais há de dispor!
Se esse amor não puder ser meu viver
há de ser meu para eu morrer de Amor!
.

Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008

Flor de Primavera - Miro Julião


Flor de primavera infantil sem til
Que persiste em desabrochar
Contendo em seu exímio íntimo
A vontade de amar
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Amar a vida que revida
A ausência do crescer
Que se faz mulher no seu desabrochar
A cada amanhecer
.
Amanhecer de ternura
Que não possui a loucura
De nosso tédio viver
Mais que se faz eterna
No néctar do prazer
.
Prazer de poesias inspiradas
De momentos inesquecíveis
Que proporciastes com teu primor
Na beleza da vida
Naqueles que buscam o amor!
.
Amor de terna paixão
De labores vividos
Nos jardins da vida
Por muitos não cridos
.
Que tudo passa eu sei
Mas na base do meu coração
Quero escrever seu nome
Em versos ou numa canção!
.

Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008

Ser e Não Ser - José Bonifácio de Andrada e Silva



Se te procuro, fujo de avistar-te,
e, se te quero, evito mais querer-te;
desejo quase. . . quase aborrecer-te,
e, se te fujo, estás em toda parte.
.
Distante, corro logo a procurar-te,
e perco a voz e fico mudo, ao ver-te;
se me lembro de ti, tento esquecer-te,
e, se te esqueço, cuido mais amar-te.
.
O pensamento assim partido ao meio,
e o coração assim também partido,
chamo-te e fujo, quero-te e receio!
.
Morto por ti, eu vivo dividido;
entre o meu e o teu ser sinto-me alheio,
e, sem saber de mim, vivo perdido!
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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

Euteamo e Suas Estréias - Elisa Lucinda


Te amo mais uma vez esta noite
talvez nunca tenha cometido “euteamo”
assim tantas seguidas vezes, mal cabendo no fato
e no parco dos dias.
Não importa, importa é a alegria límpida
de poder deslocar o “Eu te amo”
de um único definitivo dia
que parece bastá-lo como juramento
e cuja repetição, parece maculá-lo ou duvidá-lo...
Qual nada!
Pois que o euteamo é da dinâmica dos dias
É do melhoramento do amor
É do avanço dele
É verbo de consistência
É conjugação de alquimia
É do departamento das coisas eternas
que se repetem variadas e iguais todos os dias
na fartura das rotações e seus relógios de colmeias
no ciclo das noites e na eternidade das estréias:
O sol se aurora e se põe com exuberância comum e com
novidade diária
e aí dizemos em espanto bom:
Que dia lindo!
E é! Porque só aquele dia lindo é lindo
como aquele.
Nossa sede, por mais primitiva,
é sempre uma
loucura da falta inédita
até o paraíso da água nova
no deserto da nova goela.
Ela, a água,
a transparente obviedade que
habita nosso corpo
e nos exige reposição cujo modo é o
prazer.
Vê: tudo em nós comemora
o novo milenar de si
todas as horas:
Comer é novidade
Dormir é novidade
Doer é novidade
Sorrir é novidade
Maravilhosa repetitiva verdade que se
expõe em cachos a nosso dispor
variando em sabor e temor e glória
Por isso te amo agora como nunca antes
Porque quando te amei ontem
eu te amava naquele tempo
e sou hoje o gerúndio daquela disposição de verbo
Te amo hoje com você dentro
embora sem você perto
Te amo em viagem
portanto em viragem diferente da que quando
estava perto
Meu certo é alto, forte
Te amo como nunca amei
você longe, meu continente, meu rei
Eu te amo quantas vezes for sentido
e só nesse motivo é que te amarei.
.

Terça-feira, 12 de Agosto de 2008

Vício - J. G. de Araújo Jorge



Tu nunca bates no meu pensamento à hora de entrar.
Chegas de repente, invades tudo, e é impossível te expulsar
por que então já sou eu que te procuro.
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Não escolhes momento. É na hora séria ou na hora triste,
na hora romântica, ou na hora de tédio
por mais que me encontres fechado em mim mesmo
entras pelo pensamento, - clara fresta, vulnerável
às lembranças do teu desejo.
.
E quando chegas assim, estremeço até regiões ignoradas
me levanto, e saio, sonâmbulo, a te buscara caminhar a esmo ...
.
Chegas - como uma crise a um asmático, - e então
[preciso de ti como preciso de ar,
e tenho a impressão de que se não te alcanço, se não
[te encontro,vou morrer, miserável, como um transeunte nas ruas,
antes que o socorro chegue para salvá-lo ...
alcançar-te é um suplício ...
.
Teu amor para mim - é humilhante a confissão
-Depois que consegues atingir meu pensamento
tua posse é uma obsessão,
não é amor, é vício ...
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Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008

Soneto XLIII - Elizabeth Barrett Browning


Amo-te quanto em largo, em alto e profundo
Minha alma alcança quando, transportada,
Sente, alongando os olhos deste mundo,
Os fins do Ser, a Graça entressonhada.
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Amo-te em cada dia, hora e segundo
À luz do sol, na noite sossegada,
E é tão pura a paixão de que me inundo
Quanto o pudor dos que não pedem nada.
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Amo-te com o doer das velhas penas;
Com sorrisos, com lágrimas de prece,
E a fé da minha infância, ingênua e forte.
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Amo-te até nas coisas mais pequenas.
Por toda a vida. E, assim Deus o quiser,
Ainda mais te amarei depois da morte.
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