sábado, 12 de janeiro de 2008

De Hilda Hilst...


Que este amor não me cegue nem me siga.

E de mim mesma nunca se aperceba. Que me exclua do estar sendo perseguida E do tormento
De só por ele me saber estar sendo. Que o olhar não se perca nas tulipas Pois formas tão perfeitas de beleza Vêm do fulgor das trevas. E o meu Senhor habita o rutilante escuro De um suposto de heras em alto muro.

Que este amor só me faça descontente
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.

Que este amor só me veja de partida.

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