quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Soneto - Adélia Fonseca


Ninguém nas asas da mais leve aragem,
a ti enviou lembranças tão saudosas;
ninguém horas passou tão deleitosas
de amor te ouvindo a férvida linguagem;

ninguém da tua vida na passagem
semeou, sem espinhos, tantas rosas;
ninguém te diz palavras tão mimosas,
contra o peito estreitando tua imagem;

ninguém de alma te deu mais lindas flores,
nem tanto desejou quanto eu desejo,
delas, tão puras, conservar as cores;

ninguém sabe beijar, como eu te beijo;
ninguem assim por ti morre de amores;
ningém sabe te ver, como eu te vejo.



(Adélia Josefina de Castro Fonseca, Salvador/BA, 24/11/1827 - Rio de Janeiro/RJ, 09/12/1920)

Um comentário:

ZezinhoMota disse...

Lindo momento este de leitura, e, mais ainda com uma imagem a solidificar a palavras.

Bjnhs

ZezinhoMota