quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

O poeta pede ao seu amor que lhe escreva - Federico García Lorca



Amor de minhas entranhas, morte viva,

em vão espero tua palavra escrita

e penso, com a flor que se murcha,

que se vivo sem mim quero perder-te.


O ar é imortal. A pedra inerte

nem conhece a sombra nem a evita.

Coração interior não necessita

o mel gelado que a lua verte.


Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias,

tigre e pomba, sobre tua cintura

em duelo de kordiscos e açucenas.


Enche, pois, de palavras minha loucura

ou deixa-me viver em minha serena

noite da alma para sempre escura.

(tradução: William Agel de Melo)

2 comentários:

Manuel Marques disse...

...às vezes ando perdido nas livrarias e nem me lembro desta delícia que é o andaluz Federico Garcia Lorca... parabéns a ele porque é imortal e a ti porque tens, sem dúvida dos espaços mais agradaveis de visitar! Até pode ser exagero de poeta (e nisso entendemo-nos) mas é imperioso amar estes teus recantos de pura magia! És um ser especial, Bravo! Sempre em frente moça!!!

Manuel Marques disse...

Voltei hoje a este poema, nem sei bem porquê, talvez porque saiba bem ter quem nos preencha a nossa loucura com as suas doces palavras!