segunda-feira, 23 de junho de 2008

Corridinho - Adélia Prado



O amor quer abraçar e não pode.
A multidão em volta,
com seus olhos cediços,
põe caco de vidro no muro
para o amor desistir.
O amor usa o correio,
o correio trapaceia,
a carta não chega,
o amor fica sem saber se é ou não é.
O amor pega o cavalo,
desembarca do trem,
chega na porta cansado
de tanto caminhar a pé.
Fala a palavra açucena,
pede água, bebe café,
dorme na sua presença,
chupa bala de hortelã.
Tudo manha, truque, engenho:
é descuidar, o amor te pega,
te come, te molha todo.
Mas água o amor não é.
.

2 comentários:

Manuel Marques disse...

Nada desfaz o amor quando o amor é verdadeiro! Entao porque será que tantas vezes dizemos: amo-te e depois cada um segue o seu caminho? Beijinhos e parabéns pelo teu maravilhoso blogue!

Leonor Cordeiro disse...

Adélia é sempre Adélia - PERFEITA!