domingo, 22 de junho de 2008

Ao Poente - Alphonsus de Guimaraens


Ficávamos sonhando horas inteiras,
com os olhos cheios de visões piedosas:
éramos duas virginais palmeiras,
abrindo ao céu as palmas silenciosas.
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As nossas almas, brancas, forasteiras,
no éter sublime alavam-se radiosas,
ao redor de nós dois, quantas roseiras...
O áureo poente coroava-nos de rosas.
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Era um arpejo de harpa todo o espaço;
mirava-a longamente, traço a traço,
no seu fulgor de arcanjo proibido.
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Surgia a lua, além, toda de cera ...
Ai como suave então me parecera
a voz do amor que eu nunca tinha ouvido.
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Um comentário:

Manuel Marques disse...

Felizes dos que uma vez na vida podem sentir a reciprocidade do amor! Pudera o mundo ser feito de muitos e muitos pequenos pormenores como este poema! Beijinhos!