segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Olmo - Sylvia Plath



Sei o que há no fundo, ela diz.
Conheço com minha própria raiz.
Era o que você temia.Eu não: já estive lá.
.
É o mar que você ouve em mim,
Suas frustrações?
Ou a voz do vazio, essa é a sua loucura?
.
O amor é uma sombra.
Como você chora e mente por ele.
Ouça: estes são seus cascos; fugiram, como cavalos.
.
Vou galopar a noite inteira
Até que sua cabeça vire pedra, seu travesseiro vire turfa,
Ecoando, ecoando.
.
Ou devo te trazer o borbulhar das poções?
Isso agora é chuva, esse silêncio imenso.
E este é seu fruto: branco-metálico, como arsênico.
.
Sofri a atrocidade dos poentes.
Queimada até as raízes
Meus filamentos ardem e ficam, emaranhado de arames.
.
Meus estilhaços se espalham em centelhas.
Um vento violento assim
Não suporta obstáculos: preciso gritar.
.
A lua, também, não tem pena de mim: me engole,
Cruel e estérilSeus raios me arruínam.
Ou quem sabe a peguei.
.
Eu a deixo fugir, fugir
Magra e minguante, como depois de uma cirurgia radical.
Seus pesadelos me enfeitam e me possuem.
.
Dentro de mim mora um grito.
De noite ele sai com suas garras, à caça
De algo para amar.
.
Sou torturada por essa coisa negra
Que dorme em mim;
O dia inteiro sinto seu roçar leve e macio, sua maldade.
.
Nuvens passam e se dissipam.
São estas as faces do amor, pálidas, irrecuperáveis?
Foi pra isso que atormentei meu coração?
.
Não consigo compreender além.
E o que é isso agora, essa cara
Assassina com seus galhos sufocantes? -
.
O beijo traiçoeiro da serpente.
Petrifica o desejo. Esses são os erros, solitários e lentos,
Que matam, matam, matam.
.

3 comentários:

FRANCYELLE FERNANDES disse...

Adorei sua poesia. È você que as escreve? Se for parabéns! otima tarde pra você

irineu xavier cotrim disse...

- eu acredito que em qualquer profissão há uma diferença entre quem lê e quem nada lê. Acredito que p.exemplo o advogado que lê portanto, tem mais facilidade de elaborar seu texto de defesa com maior facilidade. Será isso mesmo?ou fiquei devagando...

Manuel Marques disse...

Este poema só podia ter sido escrito por uma mulher, ou talvez seja eu que o veja assim.

É absolutamente devorador, entranha-se cá dentro e come-nos as entranhas sem parar se não tivermos cuidado. Ou talvez seja eu que o sinto assim!

Beijinhos!