quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Minha lira a suspirar - Rita Barém de Melo

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Minha lira a suspirar,
Que dizes nesta canção?
São saudades são amores
Dessa flor - recordação!
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- Minha lira a suspirar,
Que cantas com tanto ardor?
- Mais prantos do que sorrisos,
Mais tristezas que amor!
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- Minha lira a suspirar,
Que tanges nesse amargor?
Não tens nas cordas sensíveis
Nem uma singela flor?
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Lira minha que suspiras,
Não tens na vida (que dor)
Uma voz que fale ardente,
Ardentes falas d'amor?!
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Lira minha que suspiras,
Como tu meiga quem é?
Mas triste lira não podes
Na ventura teres fé!
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Lira minha que suspiras,
Na ventura tu não crês?
Mau condão fadou-te, lira,
Tão jovem, por que descrês?...
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Minha lira a suspirar
Continua já não tens crença,
Na dita quem infiltrou-te
Essa profunda descrença?
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Minha lira a suspirar
Só tens hinos d'amargor,S
ó cantos de sofrimento,
Endeixas de muita dor!
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(Março de 1856)
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2 comentários:

natalia disse...

A Rita Barém de Melo é uma poetisa que decanta com maestria, em seus versos, os sentimentos femininos tão descriminados e indiferentes a uma sociedade que desde os primordios historicos é machista e exclusente das classes minoritarias. Seu lirismo encanta mesmo depois de tantas decadas ... a emoção juntamente com o primor de seus poemas a torna imortal...quem sabe um dia ela alcalce o lugar de destaque que merece no cenario das letras.
Ilka Nathália P. remígio

Flory Guedes disse...

Muito bem. Mulher que escreve poesias é POETISA e não como alguns querem inculcar no povo, POETA. Que feio trocar o sexo de uma mulher que, quando POETISA, é toda feita de amor. Uma outra Rita, de sobrenome alemão (ainda bem que me esqueci!) vem com esta de chamar a mulher que escreve versos de POETA. E se neste país não puserem um freio nesses malfeitores de nossa lingua, bem cedo estaremos falando uma algaravia, uma salada de sexos e outras maledicências...