quarta-feira, 14 de maio de 2008

Da Chegada do Amor - Elisa Lucinda


Sempre quis um amor
que falasse
que soubesse o que sentisse.
.
Sempre quis uma amor que elaborasse
Que quando dormisse
ressonasse confiança
no sopro do sono
e trouxesse beijo
no clarão da amanhecice.
.
Sempre quis um amor
que coubesse no que me disse.
.
Sempre quis uma meninice
entre menino e senhor
uma cachorrice
onde tanto pudesse a sem-vergonhice
do macho
quanto a sabedoria do sabedor.
.
Sempre quis um amor cujo
BOM DIA!
morasse na eternidade de encadear os tempos:
passado presente futuro
coisa da mesma embocadura
sabor da mesma golada.
.
Sempre quis um amor de goleadas
cuja rede complexa
do pano de fundo dos seres
não assustasse.
.
Sempre quis um amor
que não se incomodasse
quando a poesia da cama me levasse.
.
Sempre quis uma amor
que não se chateasse
diante das diferenças.
.
Agora, diante da encomenda
metade de mim rasga afoita
o embrulho
e a outra metade é o
futuro de saber o segredo
que enrola o laço,
é observar
o desenho
do invólucro e compará-lo
com a calma da alma
o seu conteúdo.
.
Contudo
sempre quis um amor
que me coubesse futuro
e me alternasse em menina e adulto
que ora eu fosse o fácil, o sério
e ora um doce mistério
que ora eu fosse medo-asneira
e ora eu fosse brincadeira
ultra-sonografia do furor,
sempre quis um amor
que sem tensa-corrida-de ocorresse.
.
Sempre quis um amor
que acontecesse
sem esforço
sem medo da inspiração
por ele acabar.
.
Sempre quis um amor
de abafar,(não o caso)
mas cuja demora de ocaso
estivesse imensamente
nas nossas mãos.
.
Sem senãos.
.
Sempre quis um amor
com definição de quero
sem o lero-lero da falsa sedução.
.
Eu sempre disse não
à constituição dos séculos
que diz que o "garantido" amor
é a sua negação.
.
Sempre quis um amor
que gozasse
e que pouco antes
de chegar a esse céu
se anunciasse.
.
Sempre quis um amor
que vivesse a felicidade
sem reclamar dela ou disso.
.
Sempre quis um amor não omisso
e que suas estórias me contasse.
.
Ah, eu sempre quis um amor que amasse.
.

Um comentário:

Daniel Rodrigues disse...

Elisa (minha conterrânea) é intensa em cada verso. Resultado: um belo poema. Beijo para você moça bonita!