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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Por Manuel Antônio Álvares de Azevedo ...

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Perdoa-me visão dos meus amores,
Se a ti ergui meus olhos suspirando!...
Se eu pensava num beijo desmaiando
Gozar contigo a estação das flores!
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De minhas faces os mortais palores,
Minha febre noturna delirando,
Meus ais, meus tristes ais vão revelando
Que peno e morro de amorosas dores...
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Morro, morro por ti! na minha aurora
A dor do coração, a dor mais forte,
A dor de um desengano me devora...
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Sem que última esperança me conforte,
Eu - que outrora vivia! - eu sinto agora
Morte no coração, nos olhos morte!
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(Álvares de Azevedo)
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quinta-feira, 6 de março de 2008

(Cabelos onde o amor s'esconde manso) - Sarmento Menna




Cabelos onde o amor s'esconde manso,


e com eles brincando ocultamente,


dispara do arco ebúrneo a seta ardente,


que humanos peitos ferem sem descanso;


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cabelos, cujo mimo m'esperanço


de obter de tua mão ditosamente;


cabelos de um escuro reluzente,


que de os ver, admirar jamais me canso;


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cabelos, cuja cor tem meus cuidados;


cabelos com que um deus prende,


domina e abranda corações petrificados;


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são os teus, venturosa Carolina,


cópia de graças, dos louçãos agrados,


formosura sem par, mortal divina.


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quarta-feira, 5 de março de 2008

Se tu viesses ver-me... - Florbela Espanca


Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,

A essa hora dos mágicos cansaços,

Quando a noite de manso se avizinha,

E me prendesses toda nos teus braços...

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Quando me lembra: esse sabor que tinha

A tua boca... o eco dos teus passos... O

teu riso de fonte... os teus abraços...

Os teus beijos... a tua mão na minha...

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Se tu viesses quando, linda e louca,

Traça as linhas dulcíssimas dum beijo

E é de seda vermelha e canta e ri

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E é como um cravo ao sol a minha boca...

Quando os olhos se me cerram de desejo...

E os meus braços se estendem para ti...

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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

A voz do amor - Olavo Bilac


Nessa pupila rútila e molhada,

Refúgio arcano e sacro da Ternura,

A ampla noite do gozo e da loucura

Se desenrola, quente e embalsamada.


E quando a ansiosa vista desvairada

Embebo às vezes nessa noite escura,

Dela rompe uma voz, que, entrecortada

De soluços e cânticos, murmura...


É a voz do Amor, que, em teu olhar falando,

Num concerto de súplicas e gritos

Conta a história de todos os amores;


E vêm por ela, rindo e blasfemando,

Almas serenas, corações aflitos,

Tempestades de lágrimas e flores...