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sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Serenata - Cecília Meireles
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Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora
e cantando pus-me a esperar-te.,
,
Permita que eu emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silêncio,
e a dor é de origem divina.
,
Permita que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.
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sexta-feira, 7 de novembro de 2008
HOJE É DIA DE CECÍLIA! BLOGAGEM COLETIVA

Romantismo - Cecília Mereles
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Quem tivesse um amor, nesta noite de lua,
para pensar um belo pensamento
e pousá-lo no vento!...
Quem tivesse um amor - longe, certo e impossível
-para se ver chorando, e gostar de chorar,
e adormecer de lágrimas e luar!
Quem tivesse um amor, e, entre o mar e as estrelas,
partisse por nuvens, dormente e acordado,
levitando apenas, pelo amor levado...
Quem tivesse um amor, sem dúvida nem mácula,
sem antes nem depois: verdade e alegoria...
Ah! Quem tivesse...(Mas quem tem? Quem teria?)
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Blogagem coletiva sugerida pela querida amiga Leonor Cordeiro (http://leonorcordeiro.blogspot.com) para homenagear Cecília Meireles no dia de seu nascimento.
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sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Inscrição na Areia - Cecília Meireles
terça-feira, 1 de abril de 2008
Da Saudade - Cecília Meireles

A natureza da saudade é ambígua: associa sentimentos de solidão e tristeza – mas, iluminada pela memória, ganha contorno e expressão de felicidade. Quando Garrett a definiu como “delicioso pungir de acerbo espinho”, estava realizando a fusão desses dois aspectos opostos na fórmula feliz de um verso romântico.Em geral, vê-se na saudade o sentimento de separação e distância daquilo que se ama e não se tem. Mas todos os instantes da nossa vida não vão sendo perda, separação e distância? O nosso presente, logo que alcança o futuro, já o transforma em passado. A vida é constante perder. A vida é, pois, uma constante saudade.Há uma saudade queixosa: a que desejaria reter, fixar, possuir. Há uma saudade sábia, que deixa as coisas passarem , como se não passassem. Livrando-as do tempo, salvando a sua essência da eternidade. É a única maneira, aliás, de lhes dar permanência: imortalizá-las em amor . O verdadeiro amor é, paradoxalmente, uma saudade constante, sem egoísmo nenhum.
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Imagem - Cecília Meireles

Tão brando é o movimento
das estrelas, da lua,
das nuvens e do vento,
que se desenha a tua
face no firmamento.
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Desenha-se tão pura
Desenha-se tão pura
como nunca a tiveste,
nem nenhuma criatura.
Pois é sombra celeste
da terrena aventura.
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Como um cristal se aquieta
Como um cristal se aquieta
minha vida no sono,
venturosa e completa.
E teu rosto aprisiono
em grave luz secreta.
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Teu silêncio em meu peito
Teu silêncio em meu peito
de tal maneira existe,
reconhecido e aceito,
que chego a ficar triste
de vê-lo tão perfeito.
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E não pergunto nada.
E não pergunto nada.
Espero que amanheça,
e a cor da madrugada
pouse na tua cabeça
uma rosa encarnada.
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Ninguém me Venha dar Vida - Cecília Meireles

Ninguém me venha me dar vida,
que estou morrendo de amor,
que estou feliz de morrer,
que não tenho mal nem dor,
que estou de sonho ferida
que não me quero curar,
que estou deixando de ser
e nao me quero encontrar,
que estou dentro de um navio
que sei que vai naufragar,
Já não falo e ainda sorrio,
porque está perto de mim
o dono verde do mar
que busquei desde o começo
e estava apenas no fim.
Corações, porque chorais?
Preparai meu arremesso
para as algas e corais.
Fim ditoso, hora feliz:
Guardai meu amor sem preço,
que só quis a quem não quis.
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