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terça-feira, 2 de setembro de 2008

Árias Pequenas. Para Bandolim - Hilda Hilst


Antes que o mundo acabe, Túlio,
Deita-te e prova
Esse milagre do gosto
Que se fez na minha boca
Enquanto o mundo grita
Belicoso. E ao meu lado
Te fazes árabe, me faço israelita
nos cobrimos de beijos
E de flores
.
Antes que o mundo se acabe
Antes que acabe em nós
Nosso desejo.
.

sábado, 12 de janeiro de 2008

De Hilda Hilst...


Que este amor não me cegue nem me siga.

E de mim mesma nunca se aperceba. Que me exclua do estar sendo perseguida E do tormento
De só por ele me saber estar sendo. Que o olhar não se perca nas tulipas Pois formas tão perfeitas de beleza Vêm do fulgor das trevas. E o meu Senhor habita o rutilante escuro De um suposto de heras em alto muro.

Que este amor só me faça descontente
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.

Que este amor só me veja de partida.

sábado, 15 de dezembro de 2007

O Poeta Inventa Viagem, Retorno e Morre de Saudade - Hilda Hilst




Se for possível, manda-me dizer:
- É lua cheia. A casa está vazia -
Manda-me dizer, e o paraíso
Há de ficar mais perto, e mais recente
Me há de parecer teu rosto incerto.
Manda-me buscar se tens o dia
Tão longo como a noite. Se é verdade
Que sem mim só vês monotonia.
E se te lembras do brilho das marés
De alguns peixes rosados
Numas águas
E dos meus pés molhados, manda-me dizer:
- É lua nova -
E revestida de luz te volto a ver.