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quinta-feira, 28 de agosto de 2008
É Verdade - Federico Garcia Lorca

Ai, quanto trabalho me dá
querer-te como eu quero!
.
Por teu amor me dói o ar
o coração
e o chepéu.
.
Quem compraria de mim
este cinteiro que tenho
e esta tristeza de frio
branco, para fazer lenços?
.
Ai, quanto trabalho me dá
querer-te como eu quero!
.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
Ar de Noturno - Federico García Lorca

Tenho muito medo
das folhas mortas,
medo dos prados
cheios de orvalho.
eu vou dormir;
se não me despertas,
deixarei a teu lado meu coração frio.
.
O que é isso que soa
O que é isso que soa
bem longe ? Amor.
O vento nas vidraças,
amor meu !
.
Pus em ti colares
Pus em ti colares
com gemas de aurora.
Por que me abandonas
neste caminho ?
Se vais muito longe,
meu pássaro chora
e a verde vinha
não dará seu vinho.
.
O que é isso que soa
O que é isso que soa
bem longe ?
Amor. O vento nas vidraças,
amor meu !
.
Nunca saberás,
Nunca saberás,
esfinge de neve,
o muito que eu
haveria de te querer
essas madrugadas
quando chove
e no ramo seco
se desfaz o ninho.
.
O que é isso que soa
O que é isso que soa
bem longe ? Amor.
O vento nas vidraças,
amor meu !
.
.
( tradução: William Agel de Melo )
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
O poeta pede ao seu amor que lhe escreva - Federico García Lorca

Amor de minhas entranhas, morte viva,
em vão espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo sem mim quero perder-te.
O ar é imortal. A pedra inerte
nem conhece a sombra nem a evita.
Coração interior não necessita
o mel gelado que a lua verte.
Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias,
tigre e pomba, sobre tua cintura
em duelo de kordiscos e açucenas.
Enche, pois, de palavras minha loucura
ou deixa-me viver em minha serena
noite da alma para sempre escura.
(tradução: William Agel de Melo)
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