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sexta-feira, 11 de julho de 2008

Para que Fiques - Lya Luft


A certeza vela atrás de
um muro
ou dorme num poço
onde nada se escuta ou avista.
.
Sempre que partes, morro
um pouco
por não saber se retornas.
Minhas mãos doem de
tanto abrir-se
para que vás tranquilo.
Só assim hás de querer
estar comigo:
sem que eu insista.
.
(Fingir que te deixo
livre é um jeito
egoísta de te amar).
.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

O Silêncio dos Amantes - Lya Luft


Como fontes que de noite brandamente

boca a boca trocam seus segredos d'água,

tocam-se os amantes, no afago

da lúcida paixão secreta dessas águas.

.

Assim, bocas sequiosas, os que estão apartados

deixam que brotem, fundam-se, retornem

os seus recados de amor como num lago.

..
.
.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Revelação - Lya Luft


Quando chegaste,
redescobri em mim inocência e alegria.
Removi a máscara que sobrava:
nada havia a esconder de ti,
nem medo - a não se partires.

Supérfluas as palavras,
dispensada a aparência, fiquei eu,
sem prumo,
como antes da primeira dúvida
e do ultimo desencanto.

Quando chegaste,
escutei meu nome como num outro tempo.
o meu lado da sombra entregou
o que ninguém via:
as feridas sem cura e a esperança sem rumo.

Começa a crer, por mim, que o amor é possível,
e que a vida vale a pena e o pranto
de cada dia.

sábado, 29 de dezembro de 2007

Lya Luft


Um anjo vem todas as noites:

senta-se ao pé de mim, e passa

sobre meu coração a asa mansa,

como se fosse meu melhor amigo.
Esse fantasma que chega e me abraça

(asas cobrindo a ferida do flanco)

é todo o amor que resta

entre ti e mim, e está comigo.