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domingo, 29 de junho de 2008
Por Luís de Camões...

Aquela cativa, que me tem cativo,
porque nela vivo, já não quer que viva.
Eu nunca vi rosa, que em suaves molhos,
que para meus olhos, fosse mais fermosa.
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Nem no campo flores, nem no céu estrelas,
me parecem belas, como os meus amores.
Rosto singular, olhos sossegados,
pretos e cansados, mas não de matar.
.
üa graça viva, que neles lhe mora,
para ser senhora, de quem é cativa.
Pretos os cabelos, onde o povo vão
perde opinião, que os louros são belos.
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Pretidão de Amor, tão doce a figura,
que a neve lhe jura, que trocara a cor.
Leda mansidão, que o siso acompanha:
bem parece estranha, mas bárbara não.
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Presença serena, que a tormenta amansa:
nela enfim descansa, toda a minha pena.
Esta é a cativa, que me tem cativo,
e, pois nela vivo, é força que viva.
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sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Por Luís de Camões

Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
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É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.
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É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.
.
Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?
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