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quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Soneto a Camões - Augusto Frederico Schmidt



As tuas mágoas de amor, teus sentimentos
Diante das leis que regem nossas vidas,
Desses fados que dão e logo tiram,
E a que estamos escravos e sujeitos.
.
As tuas dores de amar sem ser amado,
De procurar um bem que não se alcança,
E no canto clamar desesperado
Pelo que nunca vem quando se busca.
.
Poeta de enamoradas impossíveis
E que num negro amor desalteraste
Essa sede de amar dura e terrível,
.
As tuas mágoas de amor, tuas fundas queixas,
Como uma fonte ficarão chorando
Dentro da língua que tornaste eterna.
.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Poema - Augusto Frederico Schmidt


Encontraremos o amor depois que um de nós abandonar

os brinquedos.

Encontraremos o amor depois que nos tivermos despedido

E caminharmos separados pelos caminhos.

.
Então ele passará por nós,

E terá a figura de um velho trôpego,

Ou mesmo de um cão abandonado,

.
O amor é uma iluminação, e está em nós, contido em nós,

E são sinais indiferentes e próximos que os acordam do seu sono

subitamente.

.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

A Chuva nos Cabelos - Augusto Frederic o Schmidt


A chuva molhava os seus cabelos,


A chuva descia sobre os seus cabelos


Voluptuosamente.


A chuva chorava sobre os seus cabelos,


Macios,


A chuva penetrava nos seus cabelos,


Profundamente,


Até as raízes!


.
Ela era uma árvore,


Uma árvore molhada


E coberta de flores.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Elegia - Augusto Frederico Schmidt



Entrou na sala e ficou em pé tocando piano,

Sua mão pequena batia no teclado duramente.

Lembro que estava de vermelho

Lembro que tinha nas tranças finas uma fita preta

Lembro que era de tarde

E entrava pelas janelas abertas o vento do

mar.

Não lembro se tinha flores perto dela

Mas nascia um perfume do seu corpo.
Que amor o meu!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

O Grande Momento - Augusto Frederico Schmidt


A varanda era batida pelos ventos do mar

As árvores tinham flores que desciam para a morte,

com a lentidão das lágrimas.

Veleiros seguiam para crepúsculos com as

asas cansadas e brancas se despedindo,

O tempo fugia com uma doçura jamais de

novo experimentada

Mas o grande momento era quando os meus

olhos conseguiam

entrar pela noite fresca dos seus olhos...