quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Pedido - Roseana Murray


me deixa escrever paixão
ao teu redor
tecer a palavra como quem
enchesse o oco de uma fruta
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tudo será feito em silêncio
um vento quase de nada trocará nossos olhos
uma água macia forrará nossos gestos
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me deixa escrever teu nome
me deixa te escrever
só doerá um pouco
quando encostar minha alma na tua
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O nosso amor - Vinícus de Moraes



O nosso amor
Vai ser assim
Eu pra você
Você pra mim
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Tristeza
Eu não quero nunca mais
Vou fazer você feliz
Vou querer viver em paz
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O nosso amor
Vai ser assim
Eu pra você
Você pra mim
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terça-feira, 24 de novembro de 2009

Alvarenga Peixoto


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Eu vi a linda Jônia e, namorado,
fiz logo voto eterno de querê-la;
mas vi depois a Nise, e é tão bela,
que merece igualmente o meu cuidado.
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A qual escolherei, se, neste estado,
eu não sei distinguir esta daquela?
Se Nise agora vir, morro por ela,
se Jônia vir aqui, vivo abrasado.
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Mas ah! que esta me despreza, amante,
pois sabe que estou preso em outros braços,
e aquela me não quer, por inconstante.
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Vem, Cupido, soltar-me destes laços:
ou faze destes dois um só semblante,
ou divide o meu peito em dois pedaços!
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(Alvarenga Peixoto)
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Soneto XXV - Guilherme de Almeida


O nosso ninho, a nossa casa, aquela
nossa despretensiosa água-furtada,
tinha sempre gerânios na sacada
e cortinas de tule na janela.
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Dentro, rendas, cristais, flores... Em cada
canto, a mão da mulher amada e bela
punha um riso de graça. Tagarela,
teu cenário cantava à minha entrada.
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Cantava... E eu te entrevia, à luz incerta,
braços cruzados, muito branca, ao fundo,
no quadro claro da janela aberta.
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Vias-me. E então, num súbito tremor,
fechavas a janela para o mundo
e me abrias os braços para o amor!
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Soneto XXXVI - Cláudio Manuel da Costa


XXXVI
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Estes braços, Amor, com quanta glória
Foram trono feliz na formosura!
Mas este coração com que ternura
Hoje chora infeliz esta memória!
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Quanto vês, é troféu de uma vitória,
Que o destino em seu templo dependura:
De uma dor esta estampa é só figura,
Na fé oculta, no pesar notória.
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Saiba o mundo de teu funesto enredo;
Por que desde hoje um coração amante
De adorar teus altares tenha medo:
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Mas que empreendo, se ao passo, que constante
Vou a romper a fé do meu segredo,
Não há, quem acredite um delirante!
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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Amor e vida - Raimundo Correia



Esconde-me a alma, no íntimo, oprimida,
Este amor infeliz, como se fora
Um crime aos olhos dessa, que ela adora,
Dessa, que crendo-o, crera-se ofendida.
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A crua e rija lâmina homicida
Do seu desdém vara-me o peito; embora,
Que o amor que cresce nele, e nele mora,
Só findará quando findar-me a vida!
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Ó meu amor! como num mar profundo,
Achaste em mim teu álgido, teu fundo,
Teu derradeiro, teu feral abrigo!
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E qual do rei de Tule a taça de ouro,
Ó meu sacro, ó meu único tesouro!
Ó meu amor! tu morrerás comigo!
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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Amor - Roseana Murray


Amor é "abra-te, sésamo",
palavra mais que magia,
mais que montanhas,
oceanos.
Amor é o céu inteiro,
são constelações se formando,
universos em expansão.
Amor é fogo sagrado,
é galáxia.
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