
sábado, 29 de novembro de 2008
Amor Proibido - Detlev von Liliencron

Erma e árida a noite,
Árvores desfolhadas
Tua cabeça em meu ombro
Pousa aflita e pesada.
.
Ronda a raposa os campos,
Longe o inimigo a essa hora;
Astros alheios brilham.
Teus belos olhos choram.
.
Quebras um galho seco,
Vagamente, e me dás
Ambas as mãos - e não
Nos vimos nunca mais.
.
Trad. Geir Campos
.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
A Mulher Apaixonada - Arthur da Távola

,
É um ser em estado de torcida do Flamengo. Torce mais por ele (o amado) que pela Seleção. Entra no campo, agride o juiz, salta o alambrado, topa qualquer desafio. Só vê a vitória.
É um ser em estado de torcida do Flamengo. Torce mais por ele (o amado) que pela Seleção. Entra no campo, agride o juiz, salta o alambrado, topa qualquer desafio. Só vê a vitória.
•
Vai pro exílio, larga carreira, profissão, conveniência, partido político. Só tem um caminho e uma verdade: o amor. O resto virá depois. Sem ele, o tudo é nada.
Vai pro exílio, larga carreira, profissão, conveniência, partido político. Só tem um caminho e uma verdade: o amor. O resto virá depois. Sem ele, o tudo é nada.
•
É o mais paciente dos seres impacientes. Sempre em estado de “estou pronta”, leva anos esperando com uma insuportável e maravilhosa impaciência, exigência, dedicação, entrega, cegueira, vontade de quintais, praias e amarrações que supõe perfeitas e definitivas. Ninguém vive a provisoriedade com tanto sentido de permanência. Ninguém assina em branco e antecipa tantos avais de afeto. Ninguém erra com tanta convicção e decência.
É o mais paciente dos seres impacientes. Sempre em estado de “estou pronta”, leva anos esperando com uma insuportável e maravilhosa impaciência, exigência, dedicação, entrega, cegueira, vontade de quintais, praias e amarrações que supõe perfeitas e definitivas. Ninguém vive a provisoriedade com tanto sentido de permanência. Ninguém assina em branco e antecipa tantos avais de afeto. Ninguém erra com tanta convicção e decência.
•
É fera e santa; guerreira e gato; desastrada e genial, capaz de usar fitas, meias coloridas; de enfrentar solidões, distâncias, presenças e furacões pelo ser amado.
É fera e santa; guerreira e gato; desastrada e genial, capaz de usar fitas, meias coloridas; de enfrentar solidões, distâncias, presenças e furacões pelo ser amado.
•
É o mais regular dos seres irregulares porque não julga, não pensa, não avalia: sente. E que se danem o mundo, as regras, as regulações, disposições, legislações e tudo aquilo que a mãe ensinou! Que o mundo exploda em flores!
É o mais regular dos seres irregulares porque não julga, não pensa, não avalia: sente. E que se danem o mundo, as regras, as regulações, disposições, legislações e tudo aquilo que a mãe ensinou! Que o mundo exploda em flores!
•
Ser de grandezas, só vive de migalhas.
Ser de grandezas, só vive de migalhas.
•
Entende de lençóis iluminados pela luz do corredor nas noites sem sono; conhece ruídos diferentes de tique-taques e entende de cantores e poetas (escolhidos secretamente).
Entende de lençóis iluminados pela luz do corredor nas noites sem sono; conhece ruídos diferentes de tique-taques e entende de cantores e poetas (escolhidos secretamente).
•
Interpreta as mensagens mais sutis do amado: tom de voz; espaço entre uma e outra frase; fomes dominicais; impressões vagas de cansaço, tédio, alegria ou saudade expressas por fungados, suspiros, desabafos, interjeições, gestos, sons, olhares.
Interpreta as mensagens mais sutis do amado: tom de voz; espaço entre uma e outra frase; fomes dominicais; impressões vagas de cansaço, tédio, alegria ou saudade expressas por fungados, suspiros, desabafos, interjeições, gestos, sons, olhares.
•
Mistura disposição com vontade. Possibilidade com ânsia. Dificuldade com não querer. Em suma: é o mais incapaz dos capazes do que há de melhor, mais lindo, legítimo e verdadeiro.
Mistura disposição com vontade. Possibilidade com ânsia. Dificuldade com não querer. Em suma: é o mais incapaz dos capazes do que há de melhor, mais lindo, legítimo e verdadeiro.
•
Especialista em pretextos; modista de oportunidades; navegantes de esperanças; tecelã de ternuras; doceira de amarguras.
Especialista em pretextos; modista de oportunidades; navegantes de esperanças; tecelã de ternuras; doceira de amarguras.
•
É furacão e chuvisco; exaltação e placidez; adivinhação e alienação; sábia e patusca; maravilha e susto; mãe e mulher; filha e bruxa; santa e desastrada.
É furacão e chuvisco; exaltação e placidez; adivinhação e alienação; sábia e patusca; maravilha e susto; mãe e mulher; filha e bruxa; santa e desastrada.
•
O único ser que topa qualquer parada não é o herói, o desesperado ou o valente: é a mulher apaixonada.
,
O único ser que topa qualquer parada não é o herói, o desesperado ou o valente: é a mulher apaixonada.
,
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Esfinge - Teófilo Dias
Não sei que acerba ternura,
Cuja luz cruel me afaga,
Cujo afago me tortura.
,
Unge-te o seio moreno
Um perfume sufocante,
Suave como um calmante,
Pérfido como um veneno.
,
Freme-te a alma fatal
No frágil corpo nervoso,
Como um filtro perigoso
Numa prisão de cristal.
+
Para estancar os desejos,
Que teu sangue tantalizam,
Teus lábios prodigalizam
Dentadas por entre beijos.
,
Com sarcasmo me apunhalas;
Depois, as feridas cruas
Ameigas com a luz que exalas
Dos teus olhos, - negras luas.
,
Tua palavra me é dura
Às vezes, pelo sentido,
E doce pela brandura
Com que me trina no ouvido.
,
Há uma alma que suspira
Em cada ponto do espaço
Quando caminhas: teu passo
Murmura como uma lira.
,
No movimento discreto
Revelas, por entre gazes,
Todo um poema correto
Escrito em versos sem frases.
,
Os teus lençois apaixonas
Com a gentileza que apuras
Nas langorosas posturas
Em que o teu corpo abandonas.
,
Dos primores, de que és feita,
A nenhum dou primazia:
É do conjunto a harmonia
Que os meus sentidos sujeita.
,
E eu te amo, beleza fátua,
Minha perpétua loucura,
Como o verme a flor mais pura,
E o musgo a mais bela estátua!
,
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
O Engano - Alfonsina Storni
Que haverás de abandonar-me, friamente, amanhã,
E que embaixo dos meus olhos, te encanto
Outro encanto o desejo, porém não me defendo.
,
Espero que isto um dia qualquer se conclua,
Pois intuo, ao instante, o que pensas ou queiras
Com voz indiferente te falo de outras mulheres
E até ensaio o elogio de alguma que foi tua.
,
Porém tu sabes menos do que eu, e algo orgulhoso
De que te pertence, em teu jogo enganoso
Persistes, com ar de ator dono do papel.
,
Eu te olho calada com meu doce sorriso,
E quando te entusiasmas, penso: não tenhas pressa
Não es tu o que me engana, quem me
engana é meu sonho.
,
Tradução de Maria Teresa Almeida Pina
,
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Lúbrica - Cesário Verde

Mandaste-me dizer,
No teu bilhete ardente,
Que hás-de por mim morrer,
Morrer muito contente.
*
Lançaste no papel
As mais lascivas frases;
A carta era um painel
De cenas de rapazes!
*
Ó cálida mulher,
Teus dedos delicados
Traçaram do prazer
Os quadros depravados!
*
Contudo, um teu olhar
É muito mais fogoso
Que a febre epistolar
Do teu bilhete ansioso:
*
Do teu rostinho oval
Os olhos tão nefandos
Traduzem menos mal
Os vícios execrandos.
*
Teus olhos sensuais,
Libidinosa Marta,
Teus olhos dizem mais
Que a tua própria carta.
*
As grandes comoções
Tu neles sempre espelhas;
São lúbricas paixões
As vívidas centelhas
*
-Teus olhos imorais,
Mulher que me dissecas,
Teus olhos dizem mais
Que muitas bibliotecas!
*
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Os Castelos de Amor Que Nós Sonhamos - Helena Raposo Carneiro da Cunha

Não sei, Amor, se ainda bem me queres.
Se ainda sou teu lírio perfumado!
— Vem. Fala. Dizes tu o que quiseres.
Vamos lembrar o tempo já passado.
,
Com o teu silêncio a minha alma feres.
Meu coração soluça amargurado,
Pensando que talvez outras mulheres
Tenham de mim o teu amor roubado.
,
Lembra, querido, o nosso amor sedento,
Na caminhada de um passado lento,
Quantas juras de amor nós dois juramos!
,
Quero ver-te formoso como sempre!
Nossas mentes unidas muito lembre
Os castelos de amor que nós sonhamos.
,
Marcadores:
Helena Raposo Carneiro da Cunha
sábado, 22 de novembro de 2008
Prece - Amélia de Oliveira
Nem os sonhos que outrora tu me deste,
Nem a santa alegria que puseste
Nessa doce esperança, já passada.
,
O futuro de amor que prometeste
O futuro de amor que prometeste
Não te peço! Minha alma angustiada
Já te não pede, do impossível, nada
Já te não lembra aquilo que esqueceste!
,
Nesta mágoa sorvida, ocultamente,
Nesta mágoa sorvida, ocultamente,
Nesta saudade atroz que me deixaste,
Neste pranto, que choro ainda por ti,
,
Nada te peço! Nada! Tão-somente
Nada te peço! Nada! Tão-somente
Peço-te agora a paz que me roubaste,
Peço-te agora a vida que perdi!
,
,
Assinar:
Postagens (Atom)





