terça-feira, 8 de abril de 2008

Meus Rabiscos ...


Realidade Palpável - Renata Christina

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Pensamentos cúmplices

Olhos que se procuram

Lábios que se buscam

Mãos que se afagam

Realidade palpável:

VOCÊ !!!

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segunda-feira, 7 de abril de 2008

Reconstiuição - Elisa Lucinda


Tive de repente

saudade da bebida que eu estava bebendo...

tive saudade e tentei me lembrar que gosto faltava,

qual era a bebida...

Fui procurando entre copos e móveis

e dei com sua boca.

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A saudade era dela

A bebida era o beijo.

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domingo, 6 de abril de 2008

Agora que Sinto Amor - Alberto Caeiro



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Agora que sinto amor

Tenho interesse no que cheira.

Nunca antes me interessou que uma flor tivesse cheiro.

Agora sinto o perfume das flores como se visse uma coisa nova.

Sei bem que elas cheiravam, como sei que existia.

São coisas que se sabem por fora.

Mas agora sei com a respiração da parte de trás da cabeça.

Hoje as flores sabem-me bem num paladar que se cheira.

Hoje às vezes acordo e cheiro antes de ver.

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sábado, 5 de abril de 2008

Noturno - Henriqueta Lisboa


Meu pensamento em febre
é uma lâmpada acesa
a incendiar a noite.
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Meus desejos irrequietos,
à hora em que não há socorro,
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dançam livres como libélulas
em redor do fogo.

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sexta-feira, 4 de abril de 2008

Eros II - Orides Fontela



O amor não
vê.
o amor não
ouve
o amor não
age
o amor
não.
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quinta-feira, 3 de abril de 2008

Soneto - Mário de Andrade



Aceitarás o amor como eu o encaro ?...

Azul bem leve, um nimbo, suavemente

Guarda-te a imagem, como um anteparo

Contra estes móveis de banal presente.

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Tudo o que há de melhor e de mais raro

Vive em teu corpo nu de adolescente,

A perna assim jogada e o braço, o claro

Olhar preso no meu, perdidamente.

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Não exijas mais nada. Não desejo

Também mais nada, só te olhar, enquanto

A realidade é simples, e isto apenas.

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Que grandeza... a evasão total do pejo

Que nasce das imperfeições. O encanto

Que nasce das adorações serenas.

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terça-feira, 1 de abril de 2008

Da Saudade - Cecília Meireles


A natureza da saudade é ambígua: associa sentimentos de solidão e tristeza – mas, iluminada pela memória, ganha contorno e expressão de felicidade. Quando Garrett a definiu como “delicioso pungir de acerbo espinho”, estava realizando a fusão desses dois aspectos opostos na fórmula feliz de um verso romântico.Em geral, vê-se na saudade o sentimento de separação e distância daquilo que se ama e não se tem. Mas todos os instantes da nossa vida não vão sendo perda, separação e distância? O nosso presente, logo que alcança o futuro, já o transforma em passado. A vida é constante perder. A vida é, pois, uma constante saudade.Há uma saudade queixosa: a que desejaria reter, fixar, possuir. Há uma saudade sábia, que deixa as coisas passarem , como se não passassem. Livrando-as do tempo, salvando a sua essência da eternidade. É a única maneira, aliás, de lhes dar permanência: imortalizá-las em amor . O verdadeiro amor é, paradoxalmente, uma saudade constante, sem egoísmo nenhum.
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